E do Brasil chegou-nos ...




Caros irmãos portugueses
Caros Amigos de Silves e do Racal Clube,
Cara Amiga Maria Gabriela.

Sinto-me tocado e ao mesmo tempo honrado. Honrado por meus humildes escritos estarem sendo recebidos do outro lado do Atlântico pela nação que me deu meu mais precioso bem, que é a minha língua; tocado pela sensação incômoda de não poder estar presente nessa ocasião que se faz tão especial.
O meu ofício, que se insinua pela rede do tecido que é o texto, tem como ferramenta e fim a língua. O Conto Cantiga de Tereza faz parte de uma minha colectânea de contos inédita chamada o Imaginário das Gentes, na qual procurei trabalhar, em cada história, as metáforas e todas as possibilidades que a língua mw oferece para tecer significados. Mas, essa Tereza... Ela me é infinitamente especial. Nela, pretendi tocar aquilo que considero o que há de mais especial na produção poética da humanidade: as cantigas de trovadores. Agora, essa minha produção sendo recebida e agraciada em Portugal é o maior prêmio que eu poderia almejar.
Costumo dizer que as histórias não são dos seus autores, mas são do universo sensível, intangível. É como se elas pairassem altivas no que chamo de imaginário das gentes. Um autor é aquele que recebe delas a graça de as transpor para o papel. Quando alguém as lê, elas deixam de pertencer a esse universo etéreo; tornam-se concretas, palpáveis. Mas, somente uando alguém as lê. Desse modo, foram vocês que deram vida a Tereza. E exactamente Portugal que, de certo modo, a gerou em mim.
Não sou trovador como El Rei Dom Dinis. Minha cantiga é mais de Tereza do que minha. Foi ela quem se fez para mim, mais do que eu para ela. Agora, ela se deu a vocês e ao mundo concreto. Já não me pertence por inteira. Estou muito feliz. É-me um momento especial que coroa toda a minha produção: já fui agraciado com outros importantes prêmios em meu Brasil querido - os quais me são caríssimos - mas esse que o Racal Clube e Silves estão me oferecendo representa o momento mais importante de minha produção literária. E jamais será esquecido. Amigos! O Oceano nos separa, mas o idioma nos une.
Muito obrigado, Litterarius, por ter lido meu tecido de metáforas.
Minha ficção e minha poesia estão em estado de graça. Não estou aí fisicamente, mas meu coração e meu espírito já dsfizeram o caminho de Cabral e já aportaram na Península. Estou com vocês em sensibilidade literária.


Valdir Moreira,
Brasil, dezembro de 2004.



Prémio Litterarius © 2006-7-8
adaptado por gabriela rocha martins