o nº 0 da Revista ...








1. Capa e Contracapa





2. Ficha Técnica
Direcção
Manuela Barros Moura
Esmeralda Lopes - directora adjunta
Copo Redactorial e Concepção Artística
( neste número )
Gabriela Rocha Martins
Hélia Coelho

Colaboradores
(neste número )
Amélia Vieira
Anabela Lourenço
António Simões
Augusto Mota
Carlos Alberto Silva
Ernesto Mello e Castro
Esmeralda Lopes
Gabriela Rocha Martins
Glória Maria Marreiros
Hélia Coelho
Jaime Salazar Sampaio
João Rui de Sousa
Manuela Barros Moura
Maria Toscano
Paula Bravo
Paulo Brito e Abreu
Risoleta Pinto Pedro
Sandro William Junqueiro
Premiados
2003
Modalidade - Poesia Erótica
Helder Neves ( Portugal )
2004
Modalidade - Conto
Valdir Moreira Lobo ( Brasil ) ex-aequo
Dora Gago ( Portugal ) ex-aequo
2005
Modalidade - Conto
Carlos Joaquim Fagundes ( Portugal ) ex-aequo
Cinthya Tavares de Almeida Albuquerque ( Brasil ) ex-aequo
2006
Modalidade - Poesia
Teresa Tudela ( Portugal )
Menções Honrosas
May Parreira e Ferreira - Conto - Brasil
Maria do Sameiro Barroso - Poesia - Portugal
Júlia Guarda Ribeiro - Conto - Portugal
João Elias Antunes de Oliveira - Poesia - Brasil

Ilustração
Augusto Mota

Concepção Gráfica e Impressão
ImagemLocal

Propriedade
Prémio Litterarius
Racal Clube
Rua Cândido dos Reis, 38
8300 Silves
tel. 282442587 - fax. 282445816
Apoios
Caixa de Crédito Agrícola de São Bartolomeu de Messines
e São Marcos da Serra
Câmara Municipal de Silves

ISSN: 1646-6888
Depósito Legal: 255823/07





3. Um dos trabalhos premiados em 2006
Maria do Sameiro Barroso ( menção honrosa )





4. Poema inédito de António Simões
ilustração de Augusto Mota





5. Página central .Editorial



Palavras para quê?
há quatro anos ,assumimos ,publicamente ,o compromisso de lançar a Revista Litterarius ... pensámos em algo diferente ... e convidámos poetas e prosadores
escrevinhámos textos e guardámo.los nas gavetas da memória
um dia ... quiçá?
habituámo.nos a ser pacientes
a ver nascer o Sol .a colorir as noites com a Lua ... suspensos ,dissemos adeus a alguns companheiros e abraçámos outros ... fomos abrindo o calendário dos anos com novos Concursos Literários
e os textos ,guardados nas gavetas ,foram esperando
houve premiados em 2003 ,2004 ,2005 e 2006
belíssimos poemas e contos ,primorosamente ,escritos com diferentes sotaques .não seria justo destacar este ou aquele ,porque todos foram gerados na mesma matriz - a Língua Portuguesa
chegámos a 2007
dizem que os homens práticos ,os do "dinheiro" ,são insensíveis aos ditames literários ,mas ,mais uma vez ,foram os homens ,ditos práticos ,que viabilizaram o projecto assumido há quatro anos ,demonstrando ser possível o abraço entre a Arte e os Números ,quando a sensibilidade impera .é a linguagem dos Homens cultos
nós sabíamos ... e acreditámos numa parceria que nos une há anos
obrigada à Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de S. Bartolomeu de Messines e S. Marcos da Serra
obrigada à Câmara Municipal de Silves
obrigada aos Poetas ,aos Contadores ,aos Estetas
obrigada aos Sonhadores
nas vossas mãos o nº 0 da Revista Litterarius ,um projecto colectivo que pretende tornar ,se possível ,mais visível a produção literária ,escrita em português ,direccionada para a descoberta de novos valores e novas relações com a Arte
então
palavras para quê?
Prémio Litterarius
...........................................................
Nota de Rodapé - os pedidos de exemplares deverão ser feitos ,contra reembolso e directamente ,a Prémio Litterarius/Racal Clube - valor 10 € - ( portes de correio incluídos )



mais algumas dúvidas




Olá, Maria Gabriela:



Tenho algumas dúvidas, no caso de eu querer entrar no concurso do Prémio Litterarius
1º - Pode-se concorrer no ano seguinte àquele em que um trabalho recebeu "menção honrosa"?
2º - Pode-se concorrer com o mesmo pseudónimo? ( Agora já sei qual foi o meu ).
3º - Pode-se concorrer com mais de um trabalho. Isso eu sei. Mas o pseudónimo tem de ser diferente ou pode ser o mesmo?
De Leiria, um grande, mesmo grande abraço
Júlia
Olá, minha querida Júlia!
Tudo bem consigo?
Ora ainda bem que a menina lhe tomou o gosto ... Por isso vamos às respostas

1º - Claro que pode concorrer. Poderia fazê-lo sempre, mesmo se tivesse ganho o 1º prémio.
2º - Poder ,pode ,mas não convém ,porque a memória de alguns jurados é muito boa e isso iria prejudicá-la. Acho conveniente mudar de pseudónimo.
3º - O pseudónimo tem de ser diferente. Cada trabalho deverá ter um pseudónimo diferente.



e.mails recebidos




1ª - caros srs gostaria me esclarecessem uma dúvida relativamente ao concurso literário que começa a 15 de Fevereiro: posso concorrer com 2 contos na modalidade conto ainda que use pseudónimo diferente?
tenciono também concorrer na modalidade poesia. uso ou não o mesmo pseudónimo para uma modalidade e outra?
agradeço esclarecimento urgente.
C. Riachos.
Caro Riachos
pode concorrer com os dois contos, desde que use pseudónimos diferentes. o mesmo acontece quando concorrer na modalidade poesia.
isto é. um pseudónimo para um conto. outro para o segundo, e, ainda, um terceiro para a poesia. mas, atenção, porque não pode concorrer com mais do que três trabalhos.

esclarecido?
............................................................
2ª - Por favor uma informação:
Eu gostaria de participar desse concurso e não estou achando a ficha de inscrição.
Ou seriam esses dados abaixo?
...................................................
Pseudónimo:
Nome:
idade:
Endereço:
( País ):

Nº de telefone e/ou Telemóvel:
E-mail
Outra coisa; eu pretendo me inscrever com poema. Uma colectânea. Nesse caso, estou ciente, até 10 páginas e que deverá ter um título, a exemplo de um livro.
Agradecida.
Cissa de Oliveira
Campinas/São Paulo/Brasil.
Cara Cissa
exactamente .é essa a ficha de inscrição que deverá destacar e enviar com o trabalho concorrente
quanto à modalidade e modo como pretende concorrer, não há dúvida. é assim que deverá fazê-lo. certo?
..............................................................
3º - Após ter lido o regulamento do "Prémio Racal" do presente ano de 2007, continuei com uma dúvida relativamente aos prémios a entregar...
Quando V. Excias referem que o 1º prémio será de 500 €, referem-se a todas as categorias - conto, poesia e danda desenhada - ou é 500 € para cada categoria? ... E irá haver outros prémios monetários?
Sem outro assunto
Sou João Resende
Caro João Resende
gostaria de lembrar-lhe ,caro amigo ,que o concurso em causa não é o "Prémio Racal" ,mas sim o "Prémio Litterarius". e se faço este reparo, que pode parecer petulante, é, apenas, devido ao facto do Racal Clube ter, para além deste concurso literário, os seus "Jogos Florais". muito embora as características sejam completamente diferentes, são dois concursos literários promovidos pelo Racal .destarte, chamar, a qualquer ,"Prémio Racal", pode induzir em erro.
passemos, agora, à questão que levanta...
o 1º prémio de 500 € respeita a todas as modalidades.
isto é. há, apenas ,um primeiro prémio, independentemente, da modalidade vencedora. e não há mais prémios monetários.
..............................................................
4ª - Bom dia.
Relativamente à modalidade de banda desenhada do prémio litterarius gostaria de saber se as pranchas devem ser enviadas sob forma de desenho ou se podem ser enviadas em forma de argumento.
Com os melhores cumprimentos
Miguel Lobo.
Caro Miguel!
pertinente a sua dúvida! as pranchas deverão ser enviadas sob forma de desenho.
certo?
................................................................
5ª - Muito bom dia Senhores
Em primeiro lugar saudar e desejar os parabéns pelo evento, e dizer que só hoje vi o concurso e sei que já vou tarde para concorrer, devido à distância em que me encontro ( Moçambique - Maputo ). Daí a minha preocupação é de saber se vocês costumam lançar concursos frequentemente e se possível enviarem-me um e-mail a dar de conhecer novos concursos. Agradecia imenso.
Saudações
Sameer A.Aziz
Caro Sameer.
muito obrigada, meu amigo! mas olhe que ainda pode e deve concorrer. desde que o envelope traga a data de 15 de Março ,está dentro do prazo do concurso. assim, ainda tem até ao dia 15 deste mês para concorrer... não perca mais tempo. faça-o. e quanto ao seu pedido, fique descansado que, a partir de agora, passa a fazer parte da nossa mail.list.
esclarecido?
...................................................................
6ª - Na modalidade "Conto" ( 6 páginas ) é possível também concorrer com um conjunto de pequenos contos, ou só admitem 1 conto?
Agradeço antecipadamente
Caro/a Amigo/a!
desde que não ultrapasse as 6 páginas, estipuladas no Regulamento, pode concorrer com um ou vários pequenos contos.
... ... ... ... ...
nota - o facto de divulgarmos, no blogue, as dúvidas e as suas respostas, não invalida que as mesmas continuem a ser apresentadas ( e bem ) via e.mail. a sua divulgação serve, tão só, para, no futuro, obviar repetições.
gratos.
prémio litterarius.



finalmente!







pois é!
finalmente ,com muita preservação e um enorme acreditar na possibilidade de viabilizar sonhos ,o nº 0 da Revista Litterarius será lançado no próximo dia 8 de Março ,integrado nas Comemorações do 177º aniversário do nascimento do poeta João de Deus ,e, do Dia Internacional da Mulher .diversos motivos para estarmos sobejamente felizes .e ,como não somos egoístas ,gostaríamos de partilhar ,consigo ,essa felicidade .apareça e traga um amigo!



Regulamento CPL 2007


















1. INTRODUÇÃO
O Prémio Litterarius é uma iniciativa anual do Racal Clube.

2. OBJECTIVOS
O presente Prémio tem por objectivos incentivar a produção artística de originais e, principalmente, valorizar a Língua Portuguesa.

3. CONCORRENTES
Poderão concorrer cidadãos dos países cuja língua oficial seja o português, só sendo admitidas obras inéditas, num máximo de três trabalhos por concorrente.

4. TEMA
livre

5. MODALIDADES.
 Poesia ( entre 5 a 10 páginas - com um só poema ou vários poemas.
Quando for apresentada uma colectânea esta deve ter um título )
. Banda Desenhada ( máximo 4 pranchas )
. Conto ( máximo 6 páginas )

6. APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS
As obras apresentadas sob pseudónimo, deverão ser individuais e redigidas em páginas A4, processadas em Word, fonte Times New Roman ou Arial, tamanho 12, a espaço 1,5.
No acto de candidatura, sob pena de exclusão, não serão aceites mais do que uma obra em quintiplicado, por envelope fechado, tendo no exterior apenas o pseudónimo. O envelope que contém o trabalho concorrente, será acompanhado de um segundo envelope, igualmente fechado, que conterá dentro a ficha de identificação retirada do Regulamento. No exterior indicará o pseudónimo, a modalidade e o título da obra.
Ambos os envelopes serão metidos num terceiro que será enviado, sem indicação do remetente, ao Prémio Litterarius, para o endereço indicado no Regulamento.
Serão entregues/enviadas 5 cópias de cada obra.

7. PRAZO
O prazo de entrega dos originais inicia-se no dia 15 de Fevereiro e termina às 17h30m do dia 15 de Março de 2007. Poderão ser entregues pessoalmente e/ou enviados por correio, devendo o carimbo dos CTT ter como data limite a última, acima mencionada.

Em qualquer dos casos deverá constar no envelope:
PRÉMIO LITTERARIUSRACAL Clube
Rua Cândido dos Reis, nº 38
8300 SILVES

A Direcção do Prémio Litterarius tornará públicos os resultados nos Orgãos da Comunicação Social, e, atempadamente, informará, por escrito, os Concorrentes premiados.

A cerimónia solene de entrega de prémios decorrerá no dia 26 de Maio de 2007, segundo programa a designar.

8. COMPOSIÇÃO DO JÚRI
O Júri será composto por 5 elementos de reconhecido mérito e idoneidade.
As reuniões são secretas, deliberando em plena independência e liberdade de critérios, sendo as declarações de voto registadas em acta.
As decisões são tomadas por unanimidade e/ou maioria.

9. PROPRIEDADE
Se o Júri assim o entender, os trabalhos entregues, premiados ou não, poderão ser publicados.
Os Concorrentes serão previamente contactados para darem essa autorização.
Os Concorrentes, assim como os Autores premiados, comprometem-se à aceitação do presente Regulamento e cedem os direitos de propriedade e publicação ao Prémio Litterarius, RACAL Clube.

10. PRÉMIOS
1º - 500 Euros, entregues durante a cerimónia solene, publicação on-line ou em suporte de papel.

Nota - O Júri reserva-se o direito de atribuir menções honrosas.

11. DAS DECISÕES
Qualquer lacuna deste Regulamento será resolvida pelo Júri do Prémio Litterarius cujo(a) presidente terá sempre voto de qualidade.
A Direcção, através do seu(ua) presidente, terá assento na reunião e o seu voto terá carácter vinculativo.
Das decisões não haverá recurso.

12. PEDIDO DE INFORMAÇÕES
Prémio LitterariusRACAL Clube
Rua Cândido dos Reis, nº 38
8300 SILVES
Tel. 282442587
Fax. 282445818
E-mails - racal.clube@racal-clube.pt
premio_litterarius@sapo.pt

..........................................................................................................................
Pseudónimo:
Nome:
Idade:
Endereço:
( País ):
Nº de Telefone e/ou Telemóvel:
E-mail:



encerra-se um ciclo, abre-se outro ...








Capa da Revista Litterarius
Direcção - Manuela Barros Moura
Directora Adjunta - Esmeralda Lopes



Glória Maria Marreiros, presidente do júri do Prémio Litterarius

Minhas Senhoras, meus Senhores, Companheiros de mesa e de empenhamento:

Depois de ter lido a saudação do escritor Professor Doutor Urbano Tavares Rodrigues, jurado do Prémio Litterarius 2006, é com todo o prazer que, em nome dos restantes membros do júri, do qual faço parte, saúdo todos os concorrentes, especialmente os premiados, o Racal Clube e a direcção do Prémio Litterarius, cuja directora acaba de, brilhante e claramente, nos falar da génese do Prémio, do seu evoluir ao longo destes quatro anos, da sua existência e nos projectos para o futuro que o presente permite já antever promissores.
Senhoras, Senhores e Amigos:
Dizer-se quanto é difícil julgar o que quer que seja, ou quem quer que seja, é um lugar comum, como tal óbvio. Quando esse julgamento implica que um colectivo escolha um trabalho literário, entre muitos, essa tarefa torna-se de dificuldade e responsabilidade acrescidas.
Cada um dos jurados transporta, consigo, a sua formação académica, o seu gosto, sensibilidades pessoais e experiências de vida que hão-de influenciar e modelar as suas apreciações, logo a cotação individual a dar a cada texto concorrente.
Quando, finalmente, depois de horas e horas de leitura solitária, o júri reúne e chega a unanimidade ou consenso, sentimos, nós os jurados, que o nosso trabalho valeu a pena.
Assim, porque mais uma vez o nosso esforço colectivo valeu a pena, aqui estamos para partilhar convosco o nosso prazer, e dar-vos a razão de um pequeno pormenor do qual, certamente, já vos desteis conta:
Pela primeira vez, na curta mas rica história do Prémio Litterarius, o júri, secretariado pela Hélia Coelho e constituído pela docente Mestre Esmeralda Lopes, pela jornalista e licenciada Paula Bravo, pelo escritor Professor Doutor Urbano Tavares Rodrigues e por mim própria, decidiu, por unanimidade, atribuir quatro menções honrosas sem ordenação numérica.
Perguntar-se-á porquê esta quantidade de menções honrosas e em "bouquet"?
A resposta é simples: - Por um critério consensual de justiça.
Encontrado, por unanimidade, o Prémio Litterarius 2006, o júri verificou que quatro trabalhos, na pontuação obtida, se encontravam equidistantes do primeiro. Eis, pois, a razão das quatro menções honrosas.
Permito escusar-me de considerações prévias sobre a qualidade literária dos trabalhos premiados, já que não só o poema a que foi atribuído o Prémio Litterarius 2006, como os contos e poemas com menções honrosas, serão lidos durante esta cerimónia; em breve estarão on-line e, posteriormente, serão publicados em papel.
Pela voz de Paulo Moreira, passaremos a ouvir os textos premiados, começando pelo poema "De Nome Condição" da autoria de Teresa Tudela.
Prémio Litterarius, 2006.


Glória Maria Marreiros.



Mensagem do escritor Professor Doutor Urbano Tavares Rodrigues




Não podendo, por motivos de saúde, estar presente na cerimónia de entrega do Prémio Litterarius 2006, não quero deixar de enviar a minha saudação aos concorrentes vencedores, assinalando, ao mesmo tempo, que entre os trabalhos que recebemos se encontram outros de valor apreciável.
Apresento as minhas felicitações aos premiados, nesta hora cultural que muito prestigia Silves e, em sentido lato, o Algarve e o País, assim como o Racal Clube e a própria organização do Prémio Litterarius.


Lisboa, 27 de Maio de 2006,
Urbano Tavares Rodrigues.



Cerimónia de Encerramento






Na Quinta da Pomona, Silves, ao fim da tarde.



No dia 27 de Maio ...*




Caros Amigas e Amigos,
Exmas Senhoras,
Exmos Senhores,

"Escrever já é um tipo de máscara que se usa para enxergar o mundo", escreveu um dia Nietzsche.


Não sei que lúcida e desconcertante aventura ou qual o fascínio que encontro na leitura de poemas e de contos.
Confesso que não sei.
Confesso que ao prender-me ao imaginário dos autores, corro o risco de confundir o meu próprio imaginário.
Mas sei que ouso projectar-me numa travessia voluntária e obrigatória, numa espécie de passagem entre o conhecido e o desconhecido, entre o grito e o silêncio.
É, então, que percebo quão humana sou, senhora do riso e da tristeza, da comédia e da tragédia...
... Total confusão!!!
Confesso-vos que não me reconheço em todos os poemas e contos, porque nem todos me dizem por igual.
Passa-se o mesmo com as pessoas.
As que eu achava que não se importavam connosco, afinal, importam-se.
E aquelas que eu achava que deveriam importar-se, afinal, não estão aqui...
Acaso estarão em algum lugar?
... Coisas estranhas acontecem ...
Num dia amamos. No outro, acham que a paixão acabou.
Enganam-se!
A paixão ainda não acabou, no Prémio Litterarius, Racal Clube.
Como projecto global que é,
e não apenas como um concurso literário.
Mas..., comecemos pelo princípio.
Comecemos por agradecer a todos os que têm viabilizado este projecto.
Um obrigada à Delegação Regional de Cultura do Algarve.
À Câmara Municipal e à Junta de Freguesia de Silves.
Ao júri - Glória Maria Marreiros, Urbano Tavares Rodrigues, Esmeralda Lopes, Paula Bravo e Hélia Coelho;
ao Secretariado - Marília e Maria de Fátima, e,
à direcção do Racal Clube.
Dizem, e, bem, que os últimos são os primeiros. O nosso obrigada, então, a todos os Concorrentes.
E se os Concorrentes, no seu todo, merecem a nossa gratidão, um especial destaque, aos vencedores de 2006
Teresa Tudela ( Portugal ) - Poesia
João Elias Antunes ( Brasil ) - Poesia
Júlia Guarda Ribeiro ( Portugal ) - Conto
Maria do Sameiro Barroso ( Portugal ) - Poesia
May Parreira e Ferreira ( Brasil ) - Conto
na simbiose da mesma Língua.
Com diferente sotaque, "De Nome Condição", "Revoluções da Noite", "Duas Rosas Vermelhas Que Nunca Cheguei A Receber", "Baladas de Cristal" e "Relampagou" foram os belíssimos poemas e contos que o júri decidiu premiar.
Todavia, um destacou-se.
O poema "De Nome Condição", de Teresa Tudela, a quem o júri, sem qualquer hesitação, deu o primeiro prémio.
Bem haja, Teresa, pelo lirismo, pelo forte cantar de uma flor-menina transformada em condição de mulher.
Mas, bem haja o João, a Júlia, a Maria do Sameiro e a May pela beleza e pelo bem escrever ... na certeza de que, amanhã, estes e muitos, muitos, outros poetas e prosadores, em português, estarão, de novo, na nossa companhia ...
Obrigada, Amigos.
Por fim, breve, a já história do Prémio Litterarius...
Não é, apenas, o concurso literário.
Foi, em 2003, um projecto que abraçou Cabo Verde.
Em 2004, um grupo literário, que se estendeu de Portugal ao Brasil e chegou aos Estados Unidos da América.
Em 2005, uma aventura on-line.
Em 2006, aconteceu ontem, está acontecendo, e prolongar-se-á durante os quatro fins de semana de Outubro, no Café Litterarius.
E, em 2007?
Que seremos, nós, em 2007?
Sem fazer futurologia, o Prémio Litterarius será, finalmente, o que há muito almejou. A edição, em papel, da Revista "Litterarius", acordada no passado dia 8 de Março.
Não, meus Amigos!
A paixão ainda não acabou, porque continuamos a acreditar no sonho.
Sei que somos utópicos.
Mas, precisamente, por isso, somos, convosco, e com todos os que ousam acompanhar-nos,
um caso muito sério de paixão.
( acaso seremos nós
humanos porque sonhamos
ou loucos porque prevalecemos no sonho? )
Caros Amigas e Amigos,
Minhas Senhoras,
Meus Senhores,
obrigada pela vossa presença e pela vossa atenção.
Bem hajam!
Glória ... a palavra é sua, querida Amiga! ...

*... e, destarte, a direcção do Prémio agradeceu.



Em 2006...







Teresa Tudela
1º Prémio em Poesia
"De nome condição"



De nome condição





Três bilhas de grés e um avental
de trespasse
de pontas tomadas atrás com zelo
a guardá-las no regaço

assim estavas pousada ao cimo da escada
um pouco de sombra irregular
nos degraus
lagartixas repentinas e uma espada
vertida
a trespassar doce a
resignação dos vincos tisnados
rizomas afluentes
da raiz silente da raça

pelas cinco ou
pelas seis
tarde metade do dia
longe o setestrelo
as horas de malha
ou tear

dir-se-ia que meditavas
se houvesse prana ao terço
por entre os canastros da eira
ou redenção de si em chaves guardadas
em contas três
de avé – marias

a água
sabias

resguardada
fresca e de grés

Rosa
de teu nome nunca Guiomar
nem se sabia
só mais tarde que houveras tu escolhido

a flor

e é certo que a flor não nasceu
para decorar a casa, Carlos Drummond
e menos a lapela, diria eu
e uma rosa é uma rosa, William
sob qualquer natureza ainda
uma rosa
decerto

certo
e difícil

difícil lembrar-se alguém
ao certo para que nasce uma flor
ao certo para que exala fragrância
e colhe certo o relento da manhã
e o olhar de quem passa

e nem a vê se não tiver preço escrito por perto
certo
ou melhor exorbitante
dando melhor razão
de ser porventura
à rosa

ao certo
uma flor

uma rosa

sem porquê
sem mais que uma flor

uma rosa

e por mais labuta

toda a palavra
expira em nome

o som próprio
que nos sobe dos pés
em estremecimento à cabeça

indissolúvel
de lume
pois foi luz
a lhe dar corpo de nome

todavia Rosa
agora

apenas narcisos despontados no tanque do quintal
longe da pedra oblíqua e do sabão azul e do sal

dizem mais que a água lisa
que bate ali o sol e mais nada
onde batias a braço cantigas a fio
e tranças grossas de roupa branca
molhada

diferentes do teu pucho só no claro escuro
da cor enrolada sem rede sem ganchos
para se desfazer em hidra aberta na água
como a tua à noite no travesseiro calado

nunca percebi que cantavas
que tanto gosto te dava
e forças de estarrecer

a mim diziam coisas tontas
as rimas que esganiçavas
e os refrãos de tolher
mais me espantavam em ti
mulher rija fala séria sonho bem domado
ao rasar do amanhecer

a ti soltavam um pássaro

posto ao entardecer

é tarde Guiomar
e mais em mim

de ti despontam narcisos
no tanque de pedra do quintal

em mim calam-se os medronhos

e nem gota gorgoleja da bica aberta
ao portão

vazias as malgas da marmelada
abelhas zumbindo
rarefeitas nas sebes
de cedro
de ramos cheios
e desiguais

desponta a ordem da terra
desponta um caracol nas couves

despontam trilhos de intrusos
entre a horta e o estendal

contigo
nunca tal teria sido

nem espelhos de narcisos
em tanque de roupa ao sol

vai em tanto a desmesura
e nem te conto o que se diz no jornal

darias cabo de todos os lençóis e rendas
onde estejas que sem roupa te não quedas

e água fresca pulso acima em desafogo e
limpo o chão que onde se põem joelhos
se há-de poder pôr o pão

é tarde Guiomar
e mais em mim

vão-se fechando os sonhos
na lata de biscoitos de araruta

e deixaram de rolar as crianças
aros soltos no jardim ou saltar
cordas cadenciadas
roçando ligeiramente a calçada

súbito
tudo

e a noite tarda
onde ao serão se não faz nada
que acenda estrelas no céu
ou diga aos sonhos de mouras perdidas
e encantadas e sós
como tu e como eu

tu és um texto chamado óbito
e eu um número chamado NIB

libei já de quase tudo
in memoriam
salvo o fel do esquife
entregue à paz vespertina do pomar

sabe-se pouco de marés em verdes anos
e são as tâmaras frutos longínquos
a divisar chamas

sabe-se pouco
da alma
do fogo
menos que mal consome e que há ainda nas cinzas
memórias
e que é nas ínfimas partículas do átomo
o mapa inteiro e sem fronteiras
do que inscrevemos na pele
rasgando os dedos às cegonhas

vês como tenho razão

entre as cegonhas e os biscoitos
e o lençol de narcisos
prefiro copiar-te a receita do pão

só que a não deixaste como dizias

faltou-te esse último serão
e um caderno onde escrevesses
o que sempre tiveste de confiar a outra mão
destra de tinta contida entre sobrancelhas
franzidas

o nome

nem esse
to quiseram dar de direito
nem ditado nem escrito nem escorreito
nem dito
nem a preceito

isso cantarias tão alto
isso buscavas nos sons condizentes
em pregas de alma alongada
em cordas vibráteis de garganta

assinatura
desconhecida

firmada a voz livre
no ar

e todavia
quando te foste

soltou-se a sombra na eira

ouviram-se os lobos dizem
a boca cheia e meia voz

e agora
faço pão mas é mentira

ninguém mais sabe que não era assim
ao que sabia



Teresa Tudela( Portugal ), 1º Prémio, modalidade poesia.


Cerimónia de Encerramento, 2006.






Teresa Tudela, em primeiro plano, olha o infinito...
1º Prémio em Poesia.
Júlia Guarda Ribeiro conversa...
Menção honrosa, em Conto.



Cerimónia de Encerramento, 2006






Em primeiro plano, Júlia Guarda Ribeiro,
menção honrosa, na modalidade conto.
"Duas rosas vermelhas que nunca cheguei a receber"



Revoluções da Noite




UM

Justamente nesta primeira hora do dia
em que um galo se confunde
com uma bala
e o pranto com a alegria
a ave se explode em bomba
e o amor em gritaria
o passado estende-se como uma
roupa desfeita
tudo volta. Carrossel, túnel do
tempo
aqui salvam-se as sombras
as cartas no arquivo
uma velha foto mais
amarela de que o sol
da manhã.


DOIS

Espantalho aberto em pulso
e impulsos
espanta os pássaros do coração
restam apenas as asas da ilusão
e coisas desfiguradas
espantalho-solidão
carrega os livros e os desejos
como uma fonte aberta
a jorrar seu pranto
como um espantalho que
espanta a si mesmo
o canto
espanta a memória
espanta o espanto.


TRÊS

Deitado na grama na sombra
do quintal,
o livro aberto, mas o olho
cansado
transfigurado em sonho
dedo investigando o bolso: vazio.
O grito não é a profilaxia
do medo
a vaca espanta o silêncio
e as moscas com o badalo
e o rabo.


QUATRO

Longo caminho de espera,
sentado no banco, o último,
sempre esta sina maldita
de último, dando o lugar
no ônibus, no cinema
e na história,
sempre o último.
Como vencer os heróis
saltando na manhã
o cerco dos anus,
os caçadores de prêmios
e de tigres?
Como deflagrar uma revolução
apenas com as armas das unhas
e um fósforo dentro da noite
e da história?


CINCO

Não compreendia os sinais do tempo
mas o cérebro trabalhava como
uma máquina implacável
cavando o túnel, o milagre
da consolação
e das janelas, agora
abertas.
O poeta trabalhando no silêncio
da aurora e do crepúsculo
Era um grande observador do
musgo e das
lesmas,
especialista em dejetos
e detritos,
irmão das moscas e
dos gritos.


SEIS

Fazia do domingo um motim
transportando seu barril de
pólvora
no assédio da aurora
subversivo, revolucionário
cheio de cicatrizes no
calendário.
A morte deflagrada na
manhã proletária.
Esses dias de jejum
Esses dias em vão que o trem da
história move-se velozmente
Esses dias em que um homem é
todos os homens,
mais solidário que um deus
mais solidário que um nome.


SETE

Devo inventar algum aparelho para
medir o pranto?
interpor este corpo de palha
entre a fúria e
o louvor?
acender a pira da
memória,
como plástico incandescente
na ponta de uma
vara, derramando
sua lava particular
no formigueiro
(humano)?


OITO

Ou ressurgir da manhã
como um soldado escrevendo
seu diário de guerra
chutando uma cabeça como
se uma cabaça
na oquidão do tempo
Tempo oco como bambu,
mas não se faz flauta
do tempo.


NOVE

Via de regra um cavalo constrói
seu próprio caminho, isto é,
quando não domesticado,
quando não subjugado na
espora, no urro, no chicote.
Um escravo faria seu próprio caminho
se não fosse escravo e
escreveria sua história,
mas a luz compulsória
penetrava as redes do tempo
e da memória.


DEZ

A árvore pende da noite com
seus morcegos indissociáveis
Num tempo perdido, mais
para dentro, mais um recuo
e o mimetismo deste homem
na dualidade do susto.
Regressa a uma cidade feita
de ilusão e espera
feita de tijolos da memória
uma mão amiga que conduz
ao mais dentro, ao sem
volta,
conduz como trilha de fogo
e pássaros
explodindo em um sorriso.


João Elias Antunes de Oliveira ( Brasil ), menção honrosa, na modalidade poesia.



Prémio Litterarius © 2006-7-8
adaptado por gabriela rocha martins